Em Freud a bulimia é associada às neuroses atuais que são a neurose de angústia, a neurastenia e a hipocondria. Já a anorexia é associada à histeria e melancolia.
Bulimia significa fome de boi, e também é denominada de cinorexia, fome canina seguida de vômitos, e licorexia pelo esvaziamento intestinal rápido.
Quando associada à anorexia pode ser chamada também de "fringale", fome devorante.
A bulimia é uma síndrome de gozo, do excesso.
Na bulimia ocorre a ingestão impulsiva de grande quantidade de alimento, na maioria das vezes escondida, que gera afetos de angústia e vergonha. Seria uma expressão do "binge eating" (farra alimentar), "jouissance" (gozo), excesso, além do princípio de prazer.
Podemos falar mais de impulsão do que compulsão na bulimia. Na bulimia ocorre um impulso, uma urgência para a realização do ato de comer, sem qualquer possibilidade de controle. Já nos obsessivos a compulsão se apresenta através de pensamentos, ações cuja a não realização gera angústia, devido o conflito entre ideias inconscientes, com a força da compulsão à repetição, e ideias conscientes que buscam defender, justificar o pensamento e o ato, como lavar as mãos, verificar se as portas estão fechadas, etc.
Já a impulsão é imediata, uma passagem ao ato. A bulímica come, come sem pensar, não simboliza. Podemos associar a bulimia às adições, e pode ser considerada uma toxicomania sem uso de droga.
O processo da alimentação é investido eroticamente, investimento libidinal. Desde o início da vida a criança além de saciar a fome, a sua necessidade de leite, demandando o alimento à mãe, necessidade incluída na demanda da criança de se alimentar, o alimento passa pelas vias do amor e do desejo. O contato da criança com o seio da mãe, uma vivência de satisfação, introduz uma marca mnêmica no psiquismo da criança, e o movimento do desejo vai buscar o objeto, causa do desejo, mas objeto é para sempre perdido.
No momento do estádio do espelho de Lacan, a partir dos 6 meses, o olhar é fundamental na formação da imagem corporal. O olhar da mãe, como objeto a, pode provocar modificações na imagem corporal da criança. A mãe no lugar de Ideal do eu no espelho plano traz a marca do pai, fundamental na constituição corporal da criança, que vai colocar limites na relação mãe-criança, limite corporal, barrando a relação imaginária constituída pelo eu ideal mãe-criança, onde se fixam a anoréxica e a bulímica. A ausência do pai nos casos de anorexia e bulimia é constante, o que impede o desenvolvimento da sexualidade.
A identificação é primária, de incorporação do objeto.
Bidaud refere-se ao laço demetriano da relação mãe-filha na anorexia. Narra o mito de Demeter e Perséfone, enfatizando a vivência de despossessão da jovem anoréxica em relação à sua vida afetiva, de pensamento e corpo, denunciando a invasão materna.